Amor e Outros Desastres


ALTA ROTATIVIDADE NO CEMITÉRIO DE AMORES

Agora renova o gloss-urucum no espelho das ruas.
Pensa nos homens como um cemitério de sapatos que poderiam estar naquela vitrine.
Os homens são apenas um cemitério de sapatos que ficam embaixo das camas enquanto nos comem ou nem isso.
Sapatos de bicos finos.
Sapatos bem engraxados.
Sapatos sujos na poeira do trabalho e dos dias.
Sapatos cujos bicos já pedem água.

Sapatos de todos os números.
Quantas vezes, como num mergulho, numa vertigem, avistara aquele cemitério de homens mortos de véspera na sua memória.
“Os homens já sobem mortos para as nossas camas”, pensava ela.
Ela sempre gostou de dormir bem na beirada da cama, quase como se imaginasse que cairia dali em sonhos e seria levada por mares artificiais de filmes.

Por Xico Sá

(Roubei o texto do Xico, porque é pra mim e pra mais meia dúzia de meninas que sabem o que sabem ou acham que sabem)



Escrito por Jésika Bassanezi às 22h59
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