Fico impressionada, com a minha cara verde e minha olheira gigante, marcando minha cara numa segunda-feira, pela manhã. Aquela ressaca do final de semana, que durou dois/três segundos, irá se estender até a eterna quarta cinza. Meu sorriso amarelo pro porteiro, cobrador, motorista, a mulher que me atende e traz o café, as pessoas do trabalho, meu sorriso amarelo tem vontade de dormir mais 4 horas na segunda e assistir a ‘lagoa azul’ na sessão da tarde. E qualquer reprise de novela que se passe no Leblon, terra onde todo mundo é rico e só se come salada de atum a livraria do Toni Ramos. Segunda, é o dia que o trem está cheio e contraria a famosa lei da física, sobre dois corpos não ocuparem o mesmo espaço. E me dá dor de cabeça, gente me empurrando o povo quer subir, pagar e descer, daquele maldito ônibus e daquele maldito trem, tudo ao mesmo tempo. E tem segundona toda semana, como se fosse uma penitencia por estarmos vivos. Pra completar aquela manhã que me dá vontade de morrer, um passarinho caga na minha blusa e na minha bolsa. E fica comprovado que até a natureza tá me mandando a merda, literalmente. E minha tendinite ataca e dói. E a cada segunda eu fico mais míope e perco ônibus ou dou sinal pra todos que passam no ponto, porque não enxergo quase nada. E toda segunda-feira eu quero mudar de mim, mudar de vida, mudar de roupa. Mas sempre faço ao contrário. Me arrasto, pego a roupa que sobrou do fim de semana e venho e volto só por osmose de ser ‘ser’. Chato, tédio. Não é sempre, é só porque é segunda. E a segunda é chata, pois ela tem raiva de ser o segundo dia da semana e não o primeiro. Quero doce, colo e uma horinha de risada com qualquer coisa que me faça esquecer que hoje é sempre o pior dia da semana!
Escrito por Jésika Bassanezi às 10h59
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