A gente podia ser esse tipo de gente que procura explicação pra todas as dores do mundo, e quando da tudo errado culpa o pai e culpa deus, mas a gente sabe que todas as dores são necessárias, e que nós escolhemos tudo que acontece na nossa vida, e que é tomando muita paulada na cabeça que a gente aprende. A gente podia ser essa gente que encontra amor em qualquer fulaninho, mas a gente sabe que o amor está muito além de um beijo na boca de língua e algumas fodinhas. A gente podia ser igual essa gente que está feliz com o que tem porque deus quis assim e bláblá, mas a gente sabe que merece mais, muito mais e vai atrás. A gente podia ser igual essa gente que é irritantemente burra e acha que isso é uma doença genética. A gente podia ser igual essa gente carente que acha que qualquer agrado a mais é uma declaração amor. Eu juro, que queria ser esse tipo de gente que tem o cérebro do tamanho duma noz e que nunca fica triste porque não sabe pensar, pra pensar em ficar triste. São eles os normais e eu sou a louca, maluca que fala o que não deve, come o que não deve, bebe o que não deve e pensa no que não deve. Vou comprar 5kg de burrice e um sorriso de plástico para ser normal igual a todos eles. #pensardói
Escrito por Jésika Bassanezi às 23h51
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Poema da Necessidade (Poema da obra Sentimento do mundo), de Carlos Drummond de Andrade
É preciso casar João, é preciso suportar Antônio, é preciso odiar Melquíades é preciso substituir nós todos.
É preciso salvar o país, é preciso crer em Deus, é preciso pagar as dívidas, é preciso comprar um rádio, é preciso esquecer fulana.
É preciso estudar volapuque, é preciso estar sempre bêbado, é preciso ler Baudelaire, é preciso colher as flores de que rezam velhos autores.
É preciso viver com os homens é preciso não assassiná-los, é preciso ter mãos pálidas e anunciar O FIM DO MUNDO. *anuncia o “fim do mundo”, num cotidiano frenético.
Escrito por Jésika Bassanezi às 23h28
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